terça-feira, abril 29, 2008

Meadinha - 25, 26 e 27 de Abril 2008



O Penedo da Meadinha,
rompe da terra para o ar em pleno Parque Nacional da Peneda - Gerês.

Era urgente fazer uma visita à verticalidade para carregar pilhas para o dia-a-dia.
Tínhamos várias propostas para o fim-de-semana prolongado, espiel, corno de bico, sagres, etc. Decidimos o destino que mais medo nos mete, mas com a salvaguarda que iríamos fazer apenas primeiros largos e coisinhas fáceis.

Sexta
Pelo trajecto sinuoso entre arvoredos, montanhas e penedos. Riachos, musgo e poios de gado Barrosão e dos cavalos selvagens, demos conta que estávamos sem "gasoil", numa inverneira perguntamos onde havia. "- É melhor ir a espianha que fica mais barato e mais perto..." lá fomos, chegados à gasolineira, vimos o letreiro que não aceitavam "tarjeta", contamos os trocos e conseguimos juntar quase 3 euros, o que deu para ir a Lobios levantar mais guito para atestar. Passamos por Castro Laboreiro onde abastecemos de pão, de lá finalmente para o santuário, onde já estavam mais duas cordadas Carlos&Pisco e Daniela&Roxo.

Para começar fomos à "corre caminhos" uma placa equipada.
Há vários meses que não exercíamos a "miragem do abismo", isto de andar a dar chapadas nas pedrinhas até é bonito e tal... mas depois à que aguentar o pátio. Fizemos só o primeiro largo.


1º largo da "corre caminhos"


Natália a fazer du rapel

Depois desta experiência de dor e medo. Fomos provar nova dose:
"Escaleras al Cielo"
1º Largo, fartamo-nos de divertir, movimentos giros, fluidos e protegidos à bomba.


Natália no 1º largo das "Escaleras al Cielo"

2º Largo, aZero, fenda molhada, aZero, "estou a ficar sem água", "estou a ficar com pouco material", "é pá", aZero, "acho que vou destrepar...", "...é melhor poupar forças porque ouvi dizer que logo à festa."


2º largo das "Escaleras al Cielo"

E havia, festa do vinho alvarinho e do enchido em Melgaço.
Já não havia cabrito, lá comemos um prato de feijão com arroz e outro de arroz com feijão, provamos umas pataniscas e a lampreia.



Pisco, Carlos , Daniela, Sesa, Taia e Roxo - depois das pataniscas.

Na dormida, em lamas de mouro, uns domingueiros tunning, ficaram chateados porque as namoradas viram malta a dormir no mato, e eles de camizinha engomada e cama alugada.

Sábado
Estávamos em dúvida entre a "Z" e a "Meadinha", meteram-nos um Camalotão nº 5 nas mãos, obrigado Pisco, e pelo que diziam com aquele bichinho não há problemas.

Decidimos "meadinha".
1º Largo, 50 metros de diedro com fenda, o problema é que a fenda é muito larga. E tive que arrastar o nº5 pela fenda acima... fazia 2 passos agarrava no friend dos pés e colocava acima da cabeça, mais dois passos repetir a operação... deu para meter mais 2 ou 3 pontos pelo meio, largo espectacular e compridinho - fica-se quase ao nível da 2º reunião da "s", a Taia rompeu os Bad Rock, e eu agravei os buracos dos meus gatos, aquilo parece lixa de skate com grunhos - muito bom.


1º largo da "Meadinha"



o escalador "local" da via "Meadinha"




Natália no 1º largo da "Meadinha" - Foto: Carlos Alheiro


reunião do 1º largo - Foto: Carlos Alheiro


Pisco no 2º largo da "S"



Carlos e Pisco no 2º largo da "S"


Natália no 2º largo da "Meadinha"

2º Largo, muito tranquilo até debaixo do tecto. A partir daqui é artif, e como não estávamos chipados para andar em tectos a muitos metros de altura rapelamos.


Carlos no 3º Largo da "S"

Voltamos a Melgaço e desta vez havia cabrito assado no forno, bacalhau com broa, alvarinho fresquinho, tudo muito bom.

Domingo
Acordamos cedo e fomos à "z",


fizemos o primeiro largo da "escaleras al cielo", uma travessia para a esquerda e entramos na via, uma fissura diagonal para a esquerda, um patamar para a direita e novamente uma fissura diagonal para a esquerda, escalada atlética.






1º largo da "Z"

A via está toda equipada, o que não compreendemos porque trata-se de fissuras perfeitas. Saímos por cima em mais 2 ou 3 largos em ensamble.


2º largo da "Z"

Estivemos a ver a vista, descemos e miramos o Carlos e o Pisco no Artif da "Meadinha".


Carlos e o Pisco no Artif da "Meadinha"

Para acabar decidimos ir ao primeiro largo da "come cocos", a entrada estava molhada, pelo que entrei pela "Roy", passados uns metros aquilo começou a comer-me o coco, a fissura apertava e eu com a desculpa dos pés de gato todos rotos decidi evacuar... ainda pensei em descer a "tirar o ponto e voar, tirar ponto e voar", mas reparei que só tinha dois pontos... então lá "desescalei" tudo de mansinho.

Viemos embora com ganas de voltar.

Ainda nos ofereceram janta em Ponte de Lima, obrigado Brígida e Hélder.

Um fim-de-semana memorável em óptima companhia com um granito perfeito. A repetir.

segunda-feira, abril 28, 2008

Fim de semana Clássico

Clássico porquê?

Clássico porque a Meadinha é um spot clássico
Clássico porque os Clássicos dos Clássicos também lá estavam
(Roxo&Daniela e Pisco&Carlos)
Clássico porque voltamos às cordas
Clássico porque havia Feira do Vinho Alvarinho e dos Enchidos
Clássico porque nos fartamos de passar medo, rir e divertir





Brevemente...

quarta-feira, abril 02, 2008

La Albujea "pasto de cabras" 250 mts IV+



La Albujea situa-se no maciço oriental de Gredos perto de Cuevas del valle.
Rescrevendo o “no hay chapas” aqui ficam 20 razões para não escalar na zona.

Não se pode ir de carro até à parede
Não há telecadeiras
Não há refugio
Não há agua
Não há livro de croquis
Não há a quem pedir informação das vias
Não há a quem pedir tabaco
Não há primeira chapa
Não há segunda chapa
Não há terceira chapa
Não há duas chapas com argola a indicar onde é a reunião
Não há pitons ou fitas a indicar onde é a reunião
Não há muitos sitio para meter friends
Não há buracos como no calcário
Não há muitos sítios onde meter entaladores
Não há mariolas a indicar o destrepe
Não há onde comprar cerveja
Há tanta cagada de cabra que cheira a curral
As cabras também dormem no bivaque
É preciso carregar muito material ate lá
É preciso traze-lo de volta






quinta-feira, março 20, 2008

Blog-coluninária

Peço desculpa aos nossos leitores por termos descurado uma das vertentes do nosso blog: a culinária.

Blog-coluninária
Passarinhos do inicio da Primavera com arroz.

Depois das chuvadas nas manhãs solarengas ouvimos a passarada em pleno frenesim, é altura de por em prática a arte de caçar o passarinho mais gordinho mais rechonchudinho com mais carninha.

Seguem-se as técnicas mais eficazes de caçar passarada:

O visgo (bisgo)- Esta é quiçá a melhor maneira de apanhar passarinhos para fritar, o visgo trata-se de uma substancia pegajosa feita a partir de materiais reciclados tais como luvas de enfermagem, elásticos etc. adicionados com cola de contacto e cozinhados numa panela que posteriormente se pode deitar para o lixo.
A técnica consiste em escolher uma árvore de copa baixa e barrar alguns ramos no interior com a dita poção, os passaritos ao pousar ficam com as patas presas, depois é só apanha-los para dentro de um saco e prepará-los para o petisco, é conveniente usar uma gaiola com um “chamariz” (um tentilhão ou um bico grosso) para com o seu canto atrair a passarada. Esta técnica tem a vantagem de poder ser usada em pleno dia.

O anzol – Técnica básica de caça ao pombo manso, ideal para o escalador pescador estudante, não carece de grande sofisticação e os materiais usados são baratos e fáceis de adquirir.
Primeiro há que escolher o largo de igreja mais conveniente para a caçada (os terreiros das aldeias de montanha são magníficos), o grupinho de escaladores então assenta arraiais como se apenas se encontrassem em amena cavaqueira (convêm discrição para não chocar os transeuntes), munidos de anzol e linha, espalha se um pouco de milho no chão, ao qual os pombos logo acorrem, basta espetar o anzol num dos grãos, e esperar que o bicho fique preso pelo bico, logo puxa-se a linha de pesca e o pombo lá vem em estilo papagaio de papel, depois é mete-lo para dentro do petate.

O enxofre – Entre a passarada, esta tecnica, é conhecida pelo nome de guerra química.
Na verdade é uma técnica um pouco laboriosa que rende uma grande quantidade de pássaros num curto intervalo de tempo.
Materiais empregues:
Braseira - recipiente em zinco, usado para pôr brasas debaixo da mesa nos serões de conversa nas noites de Inverno, de qualquer escalador que viva no campo.
Picão – carvão miúdo de madeira de oliveira
Enxofre - produto fitofarmacêutico da classe dos fungicidas usado para protecção das culturas agrícolas.
Todos os escaladores devem estar munidos de frontal visto que a caçada só pede ser feita de noite. A escolha da árvore dormitório é muito importante para o rendimento da colheita, as melhores são aquelas que, ou têm um cão amarrado ao tronco ou então que se encontrem em quintais com cães à solta, visto que os pássaros preferem essas por ser mais difícil o acesso dos gatos. A meio da noite coloca-se a ou as braseiras com o picão incandescente sob a copa das arvores deitando uma quantidade considerável de enxofre dentro de cada uma delas, depois é só esperar que eles caiam inanimados e coloca-los dentro de um saco.

No Inverno nesta estação torna se mais difícil caçar passarinhos, sendo a melhor solução procurá-los nos sitio mais abrigados, os poços são lugares de eleição, os pardais especialmente gostam de pernoitar lá.
Coloca se um panal de apanhar azeitona por cima do poço, tudo muito silencioso, claro, devidamente equipados com frontais os escaladores dispõe-se em redor do poço com a cabeça debaixo do pano, larga-se uma pedra para o fundo e a passarada desata a esvoaçar tentando desesperadamente sair.Com as luzes acesas e sem levantar o pano é só apanha-los à mão e mete-los dentro de um saco.

Pombo bravo – Esta técnica tem a característica de se poder reunir uma grande quantidade de pássaros numa noite, é muito boa para ser usada nas zonas de bloco, que fiquem dentro de bosques, localizados nas rotas de migração, bosques estes que os pombos bravos usam para dormir. Por vezes são ás centenas de milhar.
O modo de os caçar, consiste no lançamento de um foguete de sinalização (tipo verylight) no bosque, a meio da noite, quando os pombos dormem em sossego, o clarão faz com que a passarada levante voo, toda duma vez, completamente desorientada, chocando uns nos outros, há uma grande numero deles que caem no chão atordoados, cabe agora aos escaladores devidamente munidos de frontais, procurá-los e mete-los dentro da mochila, podem atingir-se cifras muito elevadas, na ordem das centenas em apenas uma noite.

Mira de raio lazer dos pobres – É uma forma rudimentar de caçar passarinhos, muito morosa e que requer muita precisão. Basta atar uma lanterna da loja dos 300 ao cano de uma pressão de ar, com fita americana ou strapal e escolher uma árvore dormitório da passarada. Tem a vantagem de se poder caçar com precisão o número de aves necessárias para o petisco.

Rede de pesca – Excelente para aquelas tardes estivais em que a temperatura impede a escalada. É uma técnica muito simples que consiste em estender e fixar verticalmente em quatro pontos, uma rede de pesca (normalmente entres 2 arvores). Depois com uma gaiola e respectivo chamariz, basta ficarmos deitados de papo para o ar, a observar as ditas iguarias, virem em voo picado a grande velocidade e ficarem presas na rede.
Tem a vantagem de se poder seleccionar com precisão as espécies a capturar.

Fritam-se os passarinhos e o arroz faz-se de qualquer maneira.

segunda-feira, março 03, 2008

dú barre revisited

28 e 29 de Fevereiro, 1 e 2 de Março.
Na semana passada eu e a Pirisca estivemos em terras de povo albicastrense. E findo o labor descemos um pouco para visitar velhos amigos, falésias de barro e secret spots.

Na Quinta fomos torcer os dedos no muro das mózinhas™.



Na sexta andamos a ver museus e jantamos com o Gaspaio a Marta e o MCunha.

No Sábado já com a Carina e o Janeca, fomos até ao Rabaça Secret Spot™ , que eu até fazia anos e tal.

"Ovelhas não são para mato"


Janeca e Carina na "Olea Pyrus"




"A Balsa do Bimbo"



Carina na "Ovelhas não são para mato"

Cimeira na teixa com as m&m's a D.Graça e o Sr. Constantino.

A Pirisca andou à luta com as Salmonelas o fim de semana todo, que salvaguarde-se o Alentejo, vieram de white castle.

No Domingo dia de regresso mas sem antes dar uma rapidinha na mítica Falaise du barre

Um fim de semana em grande, agradecemos o alojamento com pensão completa, e já agora aproveito para dedicar uma canção:

Geme o repolho, a transpirar na Escusa
nos passos que a caleira talhou
Sonhando em velhos sonhos que encadeou
mas na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso cair e tentar de novo
desatar o nó e voltar a fazer
há que ser duro, e não ser repolho
há que penar para encadear a valer
e a vida não é insistir sem mais nada
a vida não é tiro sim, tiro não
é feita em cada escalada alucinada
para receber daquilo que aumenta a emoção

in repolho Mafy Beiga