terça-feira, abril 07, 2015

sol poente . poios

http://clubemontanha-ffoz.blogspot.pt/2015/03/croquis-do-sector-sol-poente-poios.html?m=1

Informação sobre o setor e croquis.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

understand? El coco...



Sábado 10-01-2015
Foi preciso esperar até ao dia 10 de Janeiro para ir desejar uma feliz  festa de solstício ao coelhinho.
Começamos com um assédio à direta dos tetos. O primeiro largo é todo uma variedade de contorções e outras manhas circenses. Tentamos chegar rápido à travessia do teto, onde o MC queria brincar de Lynn Hill. As excelentes vistas e a qualidade fantástica da rocha, manteve-nos entretidos até ao por do sol. Demasiado quente este sol de inverno!  Rapelamos já no lusco fusco e fomos preparar o jantar.

Como tem sido hábito, turistas do hotel ávidos de aventuras, vêm nos visitar. Elogiam a qualidade do vinho e contam as suas aventuras.

Domingo de manhã, na tentativa de impressionar uma alta patente que andava por aquelas bandas, saio em jejum equipado com essa roupa da moda runér, e a muito custo faço o "meadinha ring". Trata-se de um trilho circular com cerca de 10km, com demasiadas subidas. Não impressionei ninguém, arrebentei as pernas e quase que chegava atrasado para o pequeno almoço.

Domingo 11-01-2015
Depois do pão com chouriço e de trocar a indumentária, começamos as negociações para eleger a via do dia. Foi muito renhido devido aos fortes argumentos da "Salo", da "Tia Mucha", da "Aplaudeme Nena" e do "Fosso do Lobo", mas acabou por ganhar a "S". A clássica das clássicas.
Ao MC faltava-lhe em livre o 3º e 4º largo.
A estratégia seria eu abrir o 1º e 2º largo e o MC ficava com o resto...
Entretido com as imagens na cabeça do Kevin e do Tommy numa parede parecida com esta que existe na América, até parecia fácil!
O segundo largo que apenas tinha feito de segundo de cordada, até correu muito bem. Fui andando, os meus dedos fininhos foram entrando nas pequenas fissuras. Já no final do teto na transição, comecei a bazarucar com os pés e a tremer todo por dentro, esboço um gesto para passar o dedo na chapa, mas temendo as consequências, volto atrás. Começo a olhar para a cintura, já sem chegar às cintas expresses nem nada, agarro um friend que estava mais à mão, passo o mosquetão do friend na chapa e respiro de alivio.
Alivio que durou pouco. Mal espreito o que me espera, sinto o baque seco do medo, um baque cheio de eco e ressonância. Penso em descer, lembro-me de truques antigos com unhas e estribos, e entre dentes digo mal do estilo ligeiro. Na reunião os companheiros de cordada não se apercebem de nada.

Uma cordada espanhola na via ao lado, apercebendo-se das minhas dificuldades falavam entre eles. Dizia o que estava mais perto de mim para os seus companheiros na reunião:
- Understand? ...el coco... - falava assim em estrangeiro na ingenuidade que eu não percebe-se. E repetia fazendo com o dedo indicador um gesto em espiral apontar para o capacete:
- Understand? Understand? ...el coco! - para que os seus companheiros "compreendessem" as subtilezas da mente naquelas passagens, e ficasse mais claro, o porquê das minhas dificuldades.

Dificuldades que foram diminuindo até à reunião. Pouco depois essa cordada ficou com a corda atascada e teve que rapelar, apeteceu-me dizer-lhes:
- Understand? troublemaking... - mas deixei-os ir, o MC atirava-se com vontade a um largo que tem também o seu "q" de "coco". Que com alguns tiques e tremeliques conseguiu encadear.
O 4ª largo, meteu-me muito medo, porque a reunião era apertada para dois. E estava mesmo a ver o MC a cair-nos em cima. Mas com as suas super nhunhas de crocodilo encadeia também este largo. Cansados, saímos pelo canal original.
Quero esquecer rápido aquelas dificuldades para podermos lá voltar, porque a via vale a pena.

A separar o metal para rumar a casa, vem despedir-se o visitante da noite anterior, a perguntar onde nos metemos de manhã. Que nos trouxe o pequeno almoço, mas não nos encontrou...

E aquilo meteu-me muita mais pena do que a via que ficou por encadear...


 kit para escalar na Meadinha
 Sérgio na 1º largo da Directa dos Tectos
Taia na 1º largo da Directa dos Tectos
MC na 1º largo da Directa dos Tectos
 MC no 2º largo da Directa dos Tectos
 Taia e Sérgio no 2º largo da Directa dos Tectos
Carrachos
Sérgio no 3º largo da Directa dos Tectos
 Sérgio no 3º largo da Directa dos Tectos
MC no 4º largo da Directa dos Tectos


 MC no 4º largo da Directa dos Tectos



 Sergio no 1º largo da "S"
  Taia no 1º largo da "S"
 Sergio no 2º largo da "S"
  Sergio no 2º largo da "S"

MC no 3º largo da "S"


Sérgio no 3º largo da "S"

MC no 4º largo da "S"


 No topo com caras de maus.

AB

quarta-feira, outubro 08, 2014

10 anos no abismo

Abismo Branco - Há 10 anos a consolidar o Vº grau!

Foi com uma aventura nos Galayos, que a 8 de Outubro de 2004, inaugurávamos o Abismo Branco.

Ficam aqui algumas fotos para recordar como éramos "fufinhos"!













Muitas aventuras, alegrias e medos preencheram os nossos dias durante estes 10 anos, e que ficarão por muito tempo na nossa memória.
Mas foram as PESSOAS, amigos incondicionais, que permanecerão para sempre no nosso coração.
A todos abraçamos apertado. Obrigado pela companhia nesta viagem. Feliz aniversário!



segunda-feira, julho 07, 2014

PARALLAX. 3 de Maio 2014

2012-04-5 e 6
Estávamos na Páscoa de 2012.


Por lá andavam outras cordadas mas o tempo andava húmido.
Numa quinta-feira dia 4 de Abril de 2012, rumamos eu e a Natália, à zona da fraga da Meadinha conhecida como o "legado", em homenagem aos espanhóis e portugueses, que deixaram esta zona da parede para as gerações futuras.

É claro que isto contraria a máxima, inscrita nos evangelhos de Susifer, de que na Meadinha está tudo aberto. Talvez não seja uma "máxima", mas sim uma "profecia", uma espécie de boas NOVAS.  Desta forma o "Está tudo aberto" passa a "Estará tudo aberto", como quem diz que um dia na Meadinha, tudo será aberto e tudo será encadeado em livre.

E mais tarde, muito mais tarde, "...virá UM que será muito maior do que nós, fará todas as vias, no dia e sem corda, e nesse dia vai chover, nevar e no final fará muito calor, um Anjo descerá em rappel a tocar corneta. Uma poderosa voz de uma nuvem escura dirá '...lo tengo todo' e soltará um forte guincho de coelho..."

Com estas e outras divagações, entramos naquele tempo, pela "Caravela Roxa", e montamos reunião com "entalecos", num confortável patamar.

Saímos do patamar, por uma fissura diagonal para a direita, ainda comum à "Caravela Roxa", direito a um pequeno muro vertical.  Este muro particular, com cerca de 3 metros, e uma fissura de cada lado marca o início do terreno inexplorado.
Superado este muro possível de proteger com material móvel, a parede tomba para placa e as fissuras cegam. O que muda o tipo de escalada agora para placa, e sem possibilidade de proteção móvel. Um piton que abana ao vento dá para enganar a sensação de vazio, e com mais alguns passinhos, chegamos a uma primeira chapa.
Este largo foi uma óptima escola de como colocar "pernos" em cima de "nhunhas". A progressão durante a abertura foi quase sempre recorrendo a unhas, quer devido à dificuldade em colocar material, quer à sujidade da parede. A demora na decisão de subir mais uns centímetros, faz-se notar bem no exagero do escovado. Já é tradição, que não havendo nada melhor para fazer, escova-se (geralmente escova-se mais quando não se vê uma possibilidade de progressão).
Com estas coisas neste primeiro largo, julgo que com o famoso e pesado barbecas do MC, colocamos 1 ou 2 pontos e descemos, deixando uma corda fixa - foi o primeiro dia.

No dia seguinte, sexta-feira santa, chovia copiosamente e acreditando (ou querendo acreditar) nos evangelhos, metemo-nos à parede, mas só deu com muita dificuldade e algumas escorregadelas para recuperar o material - foi o segundo dia.
O Sábado passamos quase à lareira e no Domingo fomos à autopista.



2012-7-1 - Conclusão do 2º Largo

A 1 de Julho daquele ano, decidimos ir terminar o largo das "fissuras paralelas", a burilador e com a sujidade existente, custou muitas horas o metro - foi o terceiro dia.












A chaminé do 3ª largo, ficaria para depois.


O Terceiro largo, visto de perto parecia aterrador. Era necessário ir espairecer, ganhar forma e coragem.

O rasto de caracol!




2012-10-6 e 7 - Abertura 3ª largo.

Voltamos 3 meses depois, não por estar mais em forma, ou por ter mais coragem. Voltamos porque certamente já nos tínhamos esquecido das visões aterradores (acontece sempre assim). No sofá de casa é tudo fácil e fazível, e é esta amnésia que nos vai permitindo sempre regressar.

E queria-mos também forçar em livre o 2º largo.

Desta vez com uma variante de entrada, de uma via antiga, que não aparecendo nos croquis 'oficiais', tem lá um piton a confirmar, tinha-mos escovado esta via esquecida por cima - foi o quarto dia.

Numa conversa com o Pedro Pacheco, ele falou de uma técnica de levar, julgo que uma foice na ponta de uma vara, para ir cortando as silvas e limpando à medida que ia subindo. Isso deu-me "cá uma ideia", e pensei em colocar a escova d'aço na ponta do bastão, assim conseguiria escovar mais metro e meio! Era como uma viajem ao futuro, conseguir ver os gratons escondidos pelo musgo, com uma antecedência até então impossível. E desta forma o leque de decisões ficava mais aberto. No terreno a técnica não se mostrou assim tão espetacular por várias razões. Desde o desconforto de carregar aquilo, o lixo que caia nos olhos, etc. Mas principalmente o facto de estando já escovado não tinha o pretexto para PARAR a escovar, era como se fosse pressionado / obrigado a ir, muitas vezes sem estar preparado mentalmente... Assim logo que pude deixei o bastão pendurado num ponto e segui à moda antiga de escova em punho.

Natália a chegar ao patamar da "caravela roxa", onde montamos a R1

Característico e bonito murinho.




O anoréctico da escovagem!







Natália a dar segurança de uma reunião, mais confortável (da via "Esperança").


A fissura vai cegando até que se transforma em placa. Onde foram colocadas algumas protecções fixas. Com uma curta travessia para a direita, ganha-se um novo canal/fissura. Daqui e já sob a luz ténue das estrelas rapelamos - foi o quinto dia.

2014-5-3 - Abertura 4º e 5º largo. Final.

Depois de um grande intervalo, havia que voltar.

Saímos na Sexta-feira dia 2 de Maio, e seduzidos por perfis montanhosos, vagueamos por terrinhas e aldeias à procura do desconhecido. Perto de Ponte da Barca, metemos por caminhos novos, passamos a Ventozelo, chegamos a Castelo de Aboim já de noite, afinal era este o cucuroto tipo cervino que se via muito ao longe.
Pelo caminho passamos em bloquinhos e fissurinhas, algumas espetaculares como esta com cerca de 10 metros.



Paramos para comer qualquer coisita, nas lagoas acima do Soajo e chegamos à Peneda já bem avançada a noite.

No dia Seguinte para além de terminar a via, tínhamos que plantar dois carvalhinhos, um nosso e outro a pedido do Sérgio Duarte. Duas árvores que recebemos, eu e ele, a quando da participação no Carlos Sá Gerês Trail Adventures.


Os dois carvalhinhos






Na plantação.


1º Largo da "Caravela Roxa"





Desde a R1, ainda na "Caravela Roxa",
a sair do característico murinho, que marca a entrada na PARALLAX.
À esquerda é possível ver a fissura diagonal, variante de entrada.




3º Largo, que foi vencido em Artificial.

Para além de tentar uma vez mais forçar em libre o 2º Largo, havia que chegar rapidamente ao ultimo sítio "conquistado", assim fica melhor dizer que o 3º largo foi em artificial na integra.

Chegamos bastante rápidos à R3, onde coloca-mos mais uma chapa para a reunião.

Acrescentar um ponto na 3ª Reunião,
com cara de maus...






Mais um ponto para ganhar a fissura, sem extrema exposição.



 Daqui ganhamos uma fissura, chaminé, canal, que nos leva ao confortável "patamar das caravelas", 
No canal do 4º Largo

Mais um pequeno largo de fissura, chaminé, canal e chegamos ao cume - foi o sexto dia..

5º largo


5º largo




A tradição já não é o que era... Abrir via, sair por cima e descer ainda de dia?!





Fica o croqui.
Entretanto, ao sétimo dia [enquanto nós descansava-mos], a via teve a sua primeira repetição, pelo MC e Rodas. O segundo largo foi encadeado à vista pelo Rodas. Falta "livrar" o 3º Largo. Candidatos?!