- ouvi dizer que vão à meadinha amanhã?!
- naaa. (silêncio) temos uma reunião de manhã...
- se fossem também ia.
- pois à meadinha não vamos. (IDEIA: vou ver se engano este a ir às fisgas resolver aquele sarilho pendente)Somos capazes é de ir até às FISGAS, como a reunião fica a meio do caminho... Conheces?
- Uuuu Fisgas?! sim, já ouvi falar...
- É pá é muito porreiro, vias de vários largos, rocha espectacular, alto ambiente, lagoas de água límpida, tudo muito bom e muito giro.
- E vocês vão?
- uuu, espera que vou tentar convencer a Natália e já te ligo de volta.
...
- Corazôn, o Emanuel quer ir às fisgas connosco, não vamos deixar o rapaz ficar mal. Podemos pó-lo abrir os largos duros...
- ta bem
....
- Tou, Emanuel, nós vamos.
- a que horas?
- hummm, reunião e tal lá para as 11h devemos tar lá.
- até manhã então.
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Chegamos às Fisgas o Emanuel começou a sacar de entalecos, friends e essas coisas. digo eu:
- É pá, acho que isso não é preciso vamos a vias equipadas...
- Ai é?! agora é que tu me tramas-te ontem fiquei a pensar que era clássica.
- Podemos fazer, pode-se fazer... mas para isso temos que abrir uma via. ou ir às vias dos galegos, que ao que parece são mistas... mas leva, pode sempre dar jeito.
começamos a subir junto aos penhascos, diz o Emanuel:
- Então isto é que é granito?
- Não! isto é quartzito.
- é uma mistura de quartzito e xisto.
- pois, parece isso parece.
- mas parece-me que tu ontem ao telefone disseste-me que era granito!
- eu, não. Olhem há por aqui umas vias de desportiva muito antigas, de um só largo. podemos fazer uma ou outra para aquecer e ambientar-nos a esta rocha não granítica. devem ser por aqui...
Lá procura-mos essas vias e fizemos duas a "July" ou coisa parecida e a "caifas".

Um bocado aquecidos e farto das tais vias continuamos a subir.
- olhem estas escovadas aqui são as dos galegos. As dos Stepesapeida estão mais à frente.
Subimos mais um pouco e sobre o grande tecto espreitei para o fundo e veio-me há memória uma anterior visita, em que o pânico se apoderou da sala de controlo.

Para que isso não voltasse acontecer, comecei agir de forma mecânica:
1. não pensar
2. montar o rappel,
3. não ouvir nada
4. tentar não ver nada
5. mandar o saco fetiche do magnésio da Natália pro abismo (que ficou num patamar ai a 80 metros)
6. atirar-me ao vazio
7. sair do vazio,
(eventualmente escalando) e daí o propósito de toda a sequência anterior).[no dia anterior tentei memorizar a reunião aconselhada para o rappel, pelos stepesapeida no seu blog, um tal quarto grau dos espanhóis, no diedro à esquerda, mas lá nunca mais me lembrei de tal coisa].
Rapelei (o mesmo erro da visita anterior) pela via "marretas marginais" um rappel suspenso sobre a almofada d'ar. Quando cheguei à altura da reunião comecei a balançar-me até chegar a um patamar, - bem daqui já ninguém me tira! eh eh - pensei eu todo satisfeito.

- Emanuel podes vir é na boa (deixa ver se ele vem, porque a Natália já foi atirar pedras às cabras)!
O Emanuel chega à reunião:
- vistes as lâminas apontadas à corda? parecem facas de Guimarães.
- pois deve ser do xisto...
- Eu não rapelo mais, vai tu e resgatas o saco de magnésio...
- ok! (tenho que ir, nem que seja por causa da porra do saco)
Começo a rapelar e a passar algumas cintas e a corda em duplo... ensarilhada, chego ao inicio do largo e ao fim do mundo explorado.
- ó Emanuel, tens que vir que eu tenho que fazer mais um rapel porque a corda ainda não chega ao patamar do magnésio... (a ver se desta forma o convenço).
Lá vem o Emanuel

chega ao patamar, começo a puxar corda.. pois!
Com as curvas e contra curvas da corda passada nas cintas a corda não vinha.
Ia a preparar-me para dar um puxão mais à séria e diz o Emanuel com cara de mau.
- não puxes, vistes as laminas por onde passa a corda, ainda a descamisas toda...
- que nada, já tive que dar puxões muito maiores, achas que é com a minha força que rasgo uma corda? - estava a preparar-me para dar um puxão mais à homem, e diz o Emanuel com cara de muito mau:
- não puxes, que rasgas a corda...
- ok. então alguém vai ter que subir pela corda com um prusik. posso ir eu... mas eu queria escalar, grande merda! deixa-me lá puxar a corda...(porra a corda é minha!)
- Não, eu quero é sair daqui rápido, subo eu, se tu quiseres escalas de segundo.
- ok. Olha o tal quarto grau dos espanhóes, vem dar direitinho aqui... é pá somos mesmo ensarilhas! deixa, pá próxima já sabemos.
Lá sobe o Emanuel e vai soltando uma corda das cintas e passando apenas uma ou outra cinta na outra ponta.
- reunião.
- dá-me corda para eu rapelar até ao patamar, para ir buscar o magnésio, depois das-me segurança de cima.
- ok.
Lá rapelei, ao lado do magnésio estava uma cabra morta, ainda pensei que foi o magnésio que a matou, mas impossível devido ao estado avançado de putrefacção. É pá que paredes brutais!!!
- Emanuel dá piii, que vou subir.
0º largo - um v+ de ervotracção
1º largo - 6c+ - com um passo de Azero (muito medinho para o 2º devido às travessias sobre as tais facas de guimarães), Fantástico, belíssimo.

2º largo 6a curto - finalmente escalada - tive a felicidade de encadear. Fantástico, belíssimo, quero em breve voltar a escalar aqui...