segunda-feira, outubro 18, 2004

PICOS DA EUROPA ::

22 a 28 de Agosto

Partimos cedo, queríamos passar pelo Porto para comprar uma corda doble. Não compramos a corda e quando saímos do Porto já passava das 11 horas. Chegamos ao Parque "la isla" de noite escura. Montamos tenda e tá a dormir.
23 Segunda Desmontar tenda, pagar e dar de frosques que parquinhos de campismo não faz o nosso estilo.
Partimos do parque para Fuente Dé.
Fizemos um arrozinho enquanto esperávamos vez no teleférico. Finalmente chega a nossa vez e subimos.
Sem mais demoras trilhar caminho apontados a Horcados Rojos, cheios de vontade e sonhos. Chegamos lá cerca de 4 horas depois. Paramos um pouquinho para comer e pusemo-nos novamente a caminho. As mochilas, carregadas de ferro pesam como um demónio. Descemos o El cable e atravessámos os jou's. Cada vez mais próximos do conhecido gigante.Apareceu de repente em todo o seu esplendor, com a sua característica parede alaranjada. Ao mesmo tempo que avistávamos o refúgio, naquele momento as mochilas tornaram-se mais leves e houve brilho e emoção no nosso olhar. Era a primeira vez que o víamos tão de perto. È mesmo grande agora que estávamos mais próximos.Bivacamos debaixo de umas pedras, nessa noite o céu foi muito estrelado, encobria-se repentinamente para logo se descobrir por completo o Picu recortava-se contra o céu e vinha desde o alto plantar-se mesmo ao pé de nós, fazendo-nos sonhar e temer.

Tapamos os buracos com pedrinhas ecom algum frio lá adormecemos.

Durante a noite ouvia-se as cabras e o vento. Não resisti a uma saída ao escuro, surpresa, a luz das estrelas era tanta que poderia ler a letra miúda dos croquis se quisesse.

24 Terça
Acordei como sempre antes da hora. Apeteceu-me gritar “Alvorada”, mas contive-me.
Pequeno-almoço, sopinha e chouriço. Preparamos uma mochila e escondemos a outra. E ainda cedinho começamos a subir o canal de la celada, contornando o Picu demoramos praí 3 horas e já víamos escaladores na parede.

Quando chegamos finalmente á cara sul era já dia alto e estavam 3 ou 4 cordadas à nossa frente. Escolhemos logo a via mais frequentada – a “directa de los martinez”. Colocamo-nos na fila e conversamos com a cordada que estava à nossa frente dois irmãos espanholados, era também o baptismo para eles. Lá para as 12h lá começamos a trepada. Espectacular! A qualidade da rocha, a textura, o cheiro. Hum! Maravilha, isto é vida – pensava enquanto cravava a goma dos pés de gato, e sentia a aderência.
Os 4 primeiros largos são os mais verticais, depois pode-se progredir já sem corda. No enorme anfiteatro. Vi um velho lobo da montanha, daqueles queimados e duros. Lembrei-me dos largos com 40 metros que tinha acabado da fazer enquanto olhava para a minha cordinha de 60mtrs. Perguntei-lhe se dava para descer com corda simples, (pergunta parva, sabia perfeitamente que não). Ele disse a sorrir para os meus camalots – Só se deixares material, mas podes subir rápido e se vieres a tempo desces connosco! Existe mais uma cordada lá em cima. – Eram os nossos amigos espanhóis, que por espantosa coincidência estavam à nossa espera (só tinham uma corda de 60mtrs. J).
Lá fomos ao cume, enquanto eles nos esperavam com o nosso material junto ao primeiro rapel, (podiam ter fugido mas não o fizeram).
A vista espectacular, abraçamo-nos. Respiramos fundo. Tiramos a foto da praxe. Olhamos mais uma vez a 360º – Isto é vida!

Com as duas cordas unidas podemos descer sem problemas, a parede é mesmo grande um papel, outro, outro…

Íamos regressar a fuente dé nesse dia quando nos apercebemos que já era tarde.
Decidimos então ficar no refúgio e festejar.

Chegados ao refúgio alto ambiente, tudo amigo, tudo lindo. Comemos umas tapas de jamon e queso de cabrales que passei adorar. Conversamos, demos um passeio pela orla das nuvens, regressamos ao interior do refúgio e quando se fez horas fomos dormir.
- cerra la ventana!- open the door!
- cerra la puerta!
- open the window!

Quase deu porrada. Um bife com demasiado calor e um espanhol com demasiado frio, não havia forma de consenso. Metemo-nos nas prateleiras, todos a molho e lá ficaríamos se não fosse um porco ressonar como um cavalo. Abanava o estrado, os ossos e o refúgio todo. Um a um todos abandonamos aquela divisão que albergava umas 40 pessoas. Uns na sala, outros no corredor lá nos acomodamos.

25 Quarta
Acordamos cedinho, pequeno-almoço (e com as sobras fizemos umas sandochas), pagamos (a dormida nada cara mas o queijo era do Bom).

Mochilas às costas (continuam pesadas), e decidimo-nos por um caminho novo, que se viria a tornar num espectáculo de 8 horas no stop. Nem sei por onde andamos. Depois vimos que descemos o “canal del vidro” descemos ao lado da penã vieja, e fomos dar aos prados do palácio real. Subimos até ao teleférico. E Fomos dormir do lado norte, ao parque naranjo de bulnes perto de arenas de cabrales.

26 quinta
Fizemos turismo, fomos até ao mar cantábrico dar uns mergulhos.

27 sexta-feira
turismo geral em arenas de cabrales, e uma escaladita desportiva.

28 Sábado
O triste regresso a casa, com ideias de voltar. E passagem para banho pelos lagos de sanábria.

Até breve!