terça-feira, setembro 21, 2010

Expedição Chamuça 5/6º dia

Os dias tinham passado e nós sem encontrar chamuça.
O Jonhy & Sarah tiveram que regressar a terras lusas.

Eu e a Natália decidimos prosseguir as buscas rumando ao picu.

Dormimos num parque de estacionamento onde já dormiam outros friquis, e acordamos relativamente cedo.

Os preparativos



Fomos de carro até Sotres e apesar do letreiro a proibir a passagem tinha ideia de uma viagem que tinha feito em menino, que se poderia ir de carro até bem mais acima. Subimos de carro, subimos, subimos pensamos que já tínhamos feito asneira, quase abortamos a ideia do carro mas as mochilas estavam tão pesadas... às tantas, montes de carros estacionados e daquelas carrinhas friquis da california que os escaladores usam para fazer coisas lá dentro.

Tínhamos chegado ao Collado Pandébano. Afinal estávamos bem. O problema era arranjar estacionamento, conseguimos um lugarzito numa valeta. Pegamos nas mochilas e toca a subir.

A ideia era subir e procurar chamuças, a escalada ficaria para o dia seguinte.













A aproximação



A naragem do miranjo de bulnes




Como tínhamos feito em 2004, e como bons cereal killers (sempre voltamos ao sítio do crime), ficamos no bivaque nº12.


Como ainda era cedo fizemos alguns preparativos para a escalada, comemos umas coisitas, depois mais outras coisitas, depois jantamos, e como ainda continuava a ser cedo, fomos até ao refugio procurar chamuças, cumprimentar o Tomás, beber uma cervejinha e observar a fauna escalatória que estava por lá.

Havia pessoal nos últimos largos da Murciana 78 e na Sagitário. Uma pasta leitosa, tapava a imponente parede oeste, para de repente, a mostrar completa, no seu laranja característico do fim de tarde. Esta parede Oeste é uma meca, nem que seja uma vez na vida. Entretemo-nos um bom bocado a ver a névoa a brincar ao esconde-esconde.

Quando a Névoa se cansou e subiu para ficar, ficou frio. Fomos dormir.

De noite chuviscou um pouco, não chuva grossa, mas sim aquela mofalha como se estivesse-mos dentro da nuvem.

O tecto do bivaque era rampeado e começaram a cair umas pingas molhadas, primeiro ao lado do saco-cama depois na testa. Estava dificil dormir assim, o escorrido foi aumentando e as gotas iam conquistando o tecto à medida que nos empurravam para a parede do fundo. Às tantas já estávamos todos contorcidos com uma pinga entre as pernas, uma de cada lado do pescoço e outras a formarem-se rapidamente.

Lembrei-me de quando era puto e fui ao circo, e um anão atirava facas a uma senhora de bikini amarrada a uma roda de madeira que ia rodando. Naquele tempo aquilo impressionou-me e agora via-me na pele da senhora, com duas gotas apontadas aos olhos e sem ter para onde fugir.

Desistimos e viemos para o exterior. Estava tudo molhado e as gotículas pairavam no ar. Estava mau para escalar.

O Cardi e a Claúdia iam fazer um treking andarini até ao refúgio nesse dia. Tínhamos combinado que desceríamos com eles depois da escalada.

Mas estava a fazer-se tarde e tudo molhado...

Aos poucos foi secando e como víamos uma possibilidade de escalagem, começamos a aproximação da cara Este.


Tinha lido um relato numa conhecida concorrente da Abismel. Que a melhor rocha dos Picos de Europa, talvez se encontra-se na parte central da parede este.

Tinhamos pensado ir à Cepeda, uma via com história como nós gostamos, mas a "melhor rocha?!" vamos lá ver...

Fizemos amistad con el diablo.


Na aproximação já ao pé da parede vi um alemão com ares de SS, a aproximar-se da parede e nós já la estávamos nos preparativos. Então eu disse-lhe:

- O shebeine! onde estás a pensar em ir?
- Amist coné díabu.
- A essa bamos nós.
- Ok.

E começamos a correr parede acima.

As reuniões vêm-se todas de umas para as outras (excepto a 6ª.) o que torna o percurso evidente, é que aquilo é mais ou menos desportiva, pode-se levar ferragens mas dificilmente encontraremos locais onde as colocar. Se se for confortável, mas mesmo confortável no quinto grau, tipo aqueles prós que têm o quinto grau confirmado, aquilo é uma confortável viagem desportiva, se for à justa o arejo poderá fazer confusão.




O Sérgio no primeiro largo


Estávamos nós, muito quentinhos já na segunda reunião e vemos o alemão a fazer uma diagonal toda acrobática para tentar passar-nos à frente. Mas saiu muito mais em baixo do que esperava e ensarilhou-se. Quase que o tivemos de resgatar, mas depois de uma dicas de um casal espanhol lá se safou. Eu continuei a escalar, mas a Natália dizia:
- Mas isto é o norteshoping em véspera de Natal?
- Deixa-os andarem que nós vamos mais rápido. - dizia-lhe eu.
- O Sérgio assim não escalo. O alemão está aqui atrás a pressionar-me, e assim prefiro descer, que eu venho para aqui não é para pressões.





Cara de poucos amigos...





Taia na melhor rocha do naranjo, com o alemão atrás.



Sérgio já com ideias de dar duas lapadas ao Alemão


Quando a Natália chegou à 5ª reunião esperei um bocado pelo Sr. Alemão para ter uma conversinha com ele e disse-lhe:
- Passa.
- Merci - disse ele, com ar abichanado. Continuamos à espera e antes da primeira chapa já se tinha perdido. Então começou a perguntar se eu tinha croqui e se sabia por donde era a via. e eu disse-lhe.
- é para cima... - e ele lá foi, devagar e a tremer, mas lá foi.

O 6º. largo é onde poderá haver algum engano, mas é para cima até ao tetinho, onde se protege com uma cinta larga, depois travessia para a esquerda até às chorreiras negras, depois sempre para cima e depois já em terreno fácil grande travessia para a direita. Onde se encontra uma reunião com buris (as outras são todas com parabolts).

O espanhol gritou para a companheira:
- Maria num caias!...

Era uma travessia manhosa. Ele não tinha metido mais nenhum ponto e a reunião era muito oxidada.





As belas vistas



Taia com o Abismo Branco ao fundo



Como já tínhamos visto a Santa do cume, e estavamos fartos do alemão. Decidimos não fazer o resto da trepada e dali atravessar para a linha de rapeles à direita (coincidem com a via: espejismos de verano).

Rapelamos tranquilos.






No rapel



Sorrisinho no final da via





Descida pelo canal de la Celada







A comidinha quente ainda no refúgio

Esperamos a ver se o Cardi e a Claúdia sempre tinham subido, mas eram já 17:30 e já passava da hora combinada.

Decidimos descer.



A vista do Refúgio



Na descida


Chegamos ao Parque
já de noite, onde encontramos o Cardi e a Claúdia que tinham descido +/- 20 minutos à nossa frente.

e passou-se mais um dia sem chamuça...

Desencontros!

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3 Comments:

Blogger Nelson Cunha said...

Parece-me bem!
Essa tb está na minha lista... de projectos!!!
Continuem que hão-de encontrar chamuças!
Abraços

2:23 da tarde  
Blogger Nelson Cunha said...

E agora a sério, sabendo o que sabes agora, se fosses repetir a via, que material levavas no arnês?

É que quero fazê-la ainda este ano.

10:04 da tarde  
Blogger sesa said...

Boas Nelson,
São necessários 10 expressos, e 4 camalotes até ao nº2, um pequeno tipo o 0,3 ou 0,4; 0,75; 1 e 2.

Umas fitas e um ou outro cordino.
A via tem algumas pontes de rocha e plaquetes que indicam bem o caminho. As reuniões são visíveis de umas para as outras.

É praticamente só puxadores em rocha excelente.

Eu para aproveitar a subida conjugaria com outra via no naranjo.

Abraço e disfruta.

Sesa

1:31 da tarde  

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