quarta-feira, setembro 28, 2011

Meadinha - "Duelo ao Sol"

24 Setembro 2011

Mais uma visita. Esta peregrinação ao altar da fé granítica tem um desígnio maior, deixar de ter medo, medo não, pânico: de tracionar nos gratons e de ver o coelho trôpego nas profundas fendas da Meadinha. E de em pequenas doses ir criando imunidade ao nocivo RADÃO.

Estava quase decidido que iríamos repetir a “S”, mas um chamamento nacionalista levou-nos à via “Duelo ao Sol”, dos irmãos Pacheco.


Croquis e informações em: http://www.meadinha.com

É estranho ouvir o Zeza dizer –“A via não tem lá muito boa pinta”, o primeiro largo é 6c, fissura sub-prumada. Foi de veras o meu curso de artificial, com algumas atrapalhações. O largo durou bastante, foi um osso duro de roer, é do mesmo estilo do primeiro largo da via “3ª porta para shambala”, estranho, estranho… mas depois de lá ter passado penso que a segunda vez será diferente…


MC no primeiro largo da via "Duelo ao Sol"








Zeza e Taia no final do primeiro largo.
A vontade de seguir para cima era pouca, da minha parte, tinha sofrido desde que coloquei o pé na parede. Queria escalar e não esfregar-me, bombeirar, andar de escadinha em escadinha.
Os coleguinhas acho que querem lá voltar para o fazer, faltou este em livre. É um bom duelo.

2º largo

Sérgio no segundo largo.

No segundo largo, cheia de vontade de escalar, decidi que não tracionaria em material não rochoso, vou escalar e vou escalar… escalei tanto que entalei o pé numa fenda e o pé não saía. Não tive calminha, o pânico tomou conta de mim na hora em que puxava o pé, puxei tanto que o resultado foi o seguinte:


O pé inchado, picado, triturado, sujo.

Ainda fiz o final do largo, uma plaquita, sem me pendurar. Dizia eu: “Não consigo pontear, meter o pé nos gratons…”, aprendi de uma vez a agrafar gratons, e uma fissurinha lá me salvou.


Eu já nos entalanços iníciais do segundo largo.

3º largo

Estávamos agora na reunião da parvalheira, debaixo de um imenso tecto, com um 7a+ exposto à nossa frente, com o pé todo rebentado, dores de barriga intensas e vontade de vomitar. A segunda reunião foi um verdadeiro relax, a escalada era secundária, todos os assunto surgiam, parecia que tinhamos ido beber um chá quente e contar "duas" histórias.

O croqui apresentava-nos duas alternativas, 7a+ de placa e tecto, ou o largo original da via 6b de chaminé, escolhemos este último. É de facto um largo fantástico, as fotos falam por si:


MC abrir a chaminé estética






O Zeza já sozinho na reunião


Sérgio e Taia no início do largo de chaminé


Nas profundezas a brincar ao coelho esconde esconde...




Sérgio na saída por fora, há possibilidade de passar por dentro, claro está que passei por dentro, seguro e menos psico.

4º largo

A visão do Sr. Coelho, eu a copiar o cara de croqui.


O 4º largo apresentava uma novidade, o factor de exposição XX. Lá foi o rebelde Sérgio completamente endiabrado, sem medo e cheio de armas para meter nas pequenas fissuras que o quisessem desafiar. O largo foi muito fácil, e quando tirava as protecções não me lembro de grandes espaçamento entre seguros. Penso haver engano nesta cotação de exposição.



5º largo

É natal... a única foto que temos do curto e exposto largo, este sim sem qualquer hipótese de proteger, haverá algum engano no croqui, o XX do largo anterior seria deste largo?

6º largo

O 6º largo era de novo o temível Zeza a abrir, uma super chaminé em rocha podre. Dava terror ouvi-lo progredir, uma chuva de pedrinhas, friends que saltavam, o homem gemia, aí sim o factor de exposição XX, o factor psicológico X faziam jus à sua fama.



Todos estes factores quase me deram vontade de fugir pela esquerda por um canal ervoso, mas os meninos que estavam comigo, eram bem motivadores, e lá fui eu azerar, escalar, arrastar partir pedra.



7º largo
No último largo, sentia ansiedade, queria chegar lá em cima, deixar de ver croquis, deixar de ter dor de barriga em cada largo.


A vista do último largo




Cunha onde estás?










Mais uma brincadeirinha, e eu é que sou a vítima.. vi mais vezes o coelho, fiquei com orelhas de coelho.

Escalar na Meadinha é de facto poético, o sofrimento torna-se mais tarde em saudade. Saudade da aventura, saudade do medo que foge pelas fissuras, saudade de ter grandes desafios e saudade de partilhar um dia com duas pessoas tão motivadoras e divertidas como foi esta cordada.

Equipa que vence, não mexe, lá estaremos de novo em breve.

AB

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7 Comments:

Anonymous RUI ROSADO said...

Que INBEJA de BOCÊS!!!!

Isto de ser Mouro é lixado a Meadinha está tão longe!

Parece uma boa Bia, à semelhança das outras Bias todas da Meadinha!

Bons relatos

Aprobeitem por mim!

Rosado
(Mouro)

9:38 da manhã  
Blogger taia said...

Olá Rui

Nunca tinha acontecido tal coisa, algum tipo de rastreio fez que o teu coment fosse para o spam, deve ter sido por causa da tua assinatura...MOURO...lol, até o blog é do norte.

Venham daí um dia destes o tempo vai bom para escalar na Meadinha, juntam-se com uns classicos e raxam gota.

Vale a pena, as bias são bem boas.

Abraço
AB

10:49 da manhã  
Blogger Daniela Teixeira said...

Ganda pinta!!!!
Quem sabe se breve também vamos visitar o coelho!!! :)
Abreijos!!

Daniela

10:57 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O ditado diz: Equipa que ensarilha,"não se mexe" :)
MC

10:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sempre quis fazer a Duelo ao Sol mas, quis o destino que ainda não me tenha metido. Agora com o coelhinho, talvez lá vá!

Muito boas escaladas.

Meadinha forever!!

Paulo Roxo

10:39 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Na 2ª foto do 6º largo, Dr. Zeza a mostrar que não tem medo do coelho e entra na toca do "Cuelhitropo" e tenta apanha-lo pelas orelhas. Mesmo dps de algumas carrachos a pega foi bem sucedida :)
MC

9:35 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Muito Bom!!!
Dá vontade de lá ir já a correr!!!
João Animado

9:33 da manhã  

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