segunda-feira, agosto 14, 2006

Rivas-Acuña en la Aguja Negra – oeste – 300mts – D inf


Eu e o joão no cume da agulha negra - a sul do torreon ao fundo.



Calor, medo, alegria, frio, calor, medo, alegria, sono e cansaço.
Bons e maus momentos

Saímos sábado às 8h da manhã.
Paramos em Cáceres para ir ao Correfuri comprar chorizo e queso cabrales (a garrafa de tinto já repousava na mochila). Seguimos viagem e após algumas paragens para cafés solos ou tortillas chegamos ao navarral por volta das 15h. Mergulho no tanque e toca a subir. Chegamos à base da Punta Maria luísa (íamos fazer a rivas acuña) por volta das 17:30 estavam lá uns caramelos para se meterem à via. Como não gostamos de confusõe subimos mais um pouco e fizemos a oeste do pequeno galayo.
Descemos já de noite, não encontrava-mos a descida (casi andando) lá fizemos 3 ou 4 rapeles manhosos. Passamos pela porta do refúgio victory e estavam lá uns tugas prontos para nos resgatar…



Não estavamos sós....


Fomos para o Bivaque Varanda na parede por detrás do refúgio. É o bivaque com melhor vista. Comemos liofilizações, chouriço, queijo de cabrales, pão e mamamos a garrafa de tinto. Ao fim já era só rir cada vez que olhávamos para a silhueta da Agulha Negra. Não são os relógios que marcam as horas, mas sim os fins de tarde avermelhados e belos amanheceres.

A noite foi bela como todas as noites nos Galayos. Com os olhos a espreitar pela brecha do saco cama, a hesitação entre querer ver os cumes negros recortados no estrelado e o resguardar do vento gelado. A inquietude do dia seguinte.

Levantei-me várias vezes durante a noite. O desconforto de sair/entrar no saco cama é largamente recompensado pelos momentos em que só, sentado numa pedra, olhas para o céu, para o negro denso das agulhas, vês as luzes dos povoados lá longe. Encontras a paz que lá em baixo não consegues sequer imaginar. O vento gelado refresca-te o rosto e lava-te o cérebro.

Amanheceu cedo, a minha inquietude ia aumentando, e quando as ultimas estrelas estavam a desaparecer acordei o João – tinha chegado a hora. Tomamos o cappucino quentinho ainda enrolados no saco cama. Preparamos as coisas e caminhamos até à base da agulha negra, queríamos ser a primeira cordada a entrar na parede. Outras nos seguiram, fizemos amizades, tiramos macacos do nariz enquanto esperávamos na reunião, vimos a habilidade dos que não levavam capacete em se desviar das pedras.
E arrastamo-nos por aquela parede sem fim.

Oito horas depois tínhamos feito cume e rapelado para o “espaldar”, faltava o caminho de regresso, já sabia o que me esperava uma hora e tal a andar e eu de pés de gato, passamos pelo refugio para beber uma cerveja, fomos buscar os macutos e descemos.

…com mais um cabelo branco, as unhas levantadas da carne, espuma e risos nos lábios as pernas tropeças, olhos cansados. Ao pé do carro voltamos ao tanque.

mas o cheiro a chulé continua no carro… em memória do cabrales.

2 Comments:

Anonymous Ana Costa said...

LOL!

um relato inspirado, sim senhor...

fico roída de inveja de não ter tado lá, mas ao mmo tempo penso: "mas q raio move estes gajos? que raio nos move a tirar tanto prazer de tão pouco, com tanto sofrimento?"

parabéns pela coragem em disfrutarem da vida a 100% e já agora tb pelo cume :-))

6:57 da tarde  
Anonymous Miguel Grillo said...

Muito bom!

Galayos....que saudades!! Sem duvida umas montanhas para disfrutar.

5:52 da tarde  

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